Por Felipe Rodrigues
Nesta semana foi celebrado o Dia da Criança Especial. A data é marcada pela afirmação de que todas as crianças merecem amor, respeito e dignidade. A mistura dessas essências é capaz de transformar seus mundos e torná-las cada vez mais preparadas para encarar a vida.
O fato é que ainda existe muito preconceito e, até mesmo, medo em relação ao convívio social desses pequenos com as demais crianças.
Pensando nisso, o TRIBUNA apresenta a história de dois meninos pra lá de especiais, Pedro Henrique e Samuel, de seis e quatro anos. Além disso, apresentamos também suas mães, Claudia e Fernanda, verdadeiras heroínas que fazem de tudo para verem seus pequenos felizes, garantindo dignidade, amor e melhora em suas qualidades de vida.
Quando a maternidade tem o poder de transformar uma vida
Há seis anos, Claudia Maria da Silva, de 50 anos, moradora de Barra Mansa, deu a luz ao seu segundo filho, o pequeno Pedro Henrique da Silva. De acordo com ela, sua gravidez foi marcada por muitos momentos conturbados, seu ex-companheiro a abandonou quando estava com três meses de gestação. Isso aflorou seu stress e nervosismo.
Durante seu período de gestação a mãe ainda trabalhava e com o passar do tempo e avançar da gravidez o tão esperando momento chegou. Porém, ao contrário do que imaginava, Claudia foi submetida a um parto normal, assim que a criança nasceu ele teve uma convulsão e foi diretamente encaminhado para a UTI. Lá foi descoberto que ele tinha um coágulo no cérebro e ao dissolver, desencadeou uma paralisia cerebral. Após um período Pedro também foi diagnosticado como portador da síndrome de down.
“Ficamos três meses internados e a minha luta começou ai. Tive que largar meu emprego, minha vida social e me dedicar totalmente a ele. Hoje ele usa traqueostomia, se alimenta pela sonda, não anda, não senta e não enxerga” expressou.
Segundo a mãe, conforme o tempo vai passando, as dificuldades vão aumentando, assim como os valores dos medicamentos, fraudas descartável e sua alimentação.
“Sempre realizamos campanhas pedindo ajuda para poder conseguir comprar frauda e remédios. Hoje vivemos somente com o salário mínimo dele, mas nossa maior prioridade no momento é a aquisição de carrinho especial pra sair com ele. Eu ando com ele no carrinho de bebê, como ele cresceu sua perna estava machucando, mas infelizmente o preço é muito alto. Até o momento só conseguimos a metade do valor”, disse.
Em relação ao seu ex-companheiro a mãe explicou que há um tempo ele reapareceu, porém quando percebeu o tamanho da responsabilidade, mais uma vez os abandonaram.

“Eu abri as portas para o pai ter convívio, mas quando ele viu o tamanho da responsabilidade ele abandonou novamente meu filho, já faz um ano e três meses que ele sumiu e não nos ajuda. Eu e minha filha, de 22 anos, que lutamos pelo Pedro”, relatou.
“Eu sempre costumo falar para as pessoas: eu sou os olhos, os braços e as pernas do meu anjinho”
Quando questionada como relação de como é ser mãe de uma criança especial, Claudia não pensa duas vezes.
“Eu sou completamente feliz de Deus ter me escolhido para ser mãe do Pedro Henrique, eu sei que tem hora que o cansaço, o stress e o medo falam mais alto, mas quando ele sorri ou quando faz aquele beicinho que eu adoro, eu percebo que a minha vida, que já era maravilhosa, ficou ainda mais completa. Não conseguimos imaginar nossas vidas sem ele”.
Professora aprende uma nova lição a cada dia com seu filho

Nossa segunda personagem é a mãe do pequeno Samuel Moreira Rocha, de quatro anos, a professora Fernanda Faria Moreira, de 46 anos. Há dois anos o pequeno foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista. Segundo ela, quem percebeu e descobriu o autismo foram os dois pediatras de Samuel.
“Para nós foi muito difícil receber o diagnóstico, nós passamos pela situação de surto e de negação, porém eu sempre achei meu filho diferente das demais crianças da mesma idade. Quando ele nasceu ficou um tempo na UTI Neo Natal e nós sempre percebemos que ele tinha uma irritabilidade absurda. Quando começou a ganhar firmeza no corpo e engatinhar ele batia muito a cabeça aquilo me incomodava muito, mas a negação fazia com que meus olhos se mantivessem fechados para qualquer tipo de problema”, revelou.
Por ser professora, Fernanda acreditava que enxergar o autismo no filho deveria ser algo mais fácil, porém como ela afirma, a negação veio antes do laudo.
“Eu percebia algo diferente, mas negava. Em alguns momentos cheguei a brigar com meu pai quando ele expôs essa dúvida, depois eu entrei em uma luta incansável”, explicitou.
Foi o conselho de uma médica que fez com que a professora visse o transtorno do filho como algo que pudesse ser trabalhado e transformado.
“Um dia ela me disse: ‘Mãe agora pega seu filho e vai viver.’ Desde então a gente busca viver uma vida mais agradável possível e, apesar de tudo ser difícil pelo seu comportamento imperativo, buscamos ter o melhor tipo de convivência no nosso dia-a-dia”, contou.
Segundo Fernanda, os maiores desafios é garantir atendimentos de qualidade para o autista, pois esses serviços ainda são extremamente caros.
“Hoje eu conto muito com o apoio de ONGs de atendimentos alternativos e do Sistema Único de Saúde (SUS), mas, por exemplo, eu gostaria muito de colocá-lo em atendimentos psicoterapeuta e oferecer mais estímulos, mas infelizmente isso é um grande entrave. O autismo deveria ser mais desenvolvido no país, porque as dificuldades giram em torno do entendimento”, expressou.
“O Samuel representa muito mais que um filho desejado até porque quando engravidei dele já não enxergava essa possibilidade.”
A mãe contou que quando veio a gestação foi uma grande surpresa e felicidade, pois por conta das inúmeras tentativas anteriores, ela acreditava que a gravidez não seria possível em sua vida.
“A vinda do Samuel para a minha vida superou as minhas boas expectativas, ele trouxe uma mudança radical, me tornei mais humana, mais solidária e atenta às coisas que estão a minha volta, pois realmente eu entendi que o mais importante nessa vida são as pessoas e os relacionamentos e não há nada que substitua isso. A gente tem que batalhar e lutar por pessoas, por vidas”, finalizou.

