O Movimento Frente Pela Diversidade de Volta Redonda divulgou uma nota de repúdio e de pesar sobre a morte da trans Aline Beatriz, também conhecida como Bombom.
Ela foi morta com dois tiros à queima-roupa em Resende. No passado, segundo o movimento, 140 pessoas trans foram mortas no Brasil; dos quais, 12 no estado do Rio.
Segundo apurou o TRIBUNA, a Polícia Civil está investigando o caso e ainda ninguém foi preso. Imagens mostram o momento em que ela foi morta.
O TRIBUNA reconhece que errou ao tratar a vítima pelo nome de batismo e não pelo nome social. Repudiamos quaisquer tipo de preconceito. Confira a nota completa do movimento.
Nota de Pesar e Repúdio
Nós do Movimento Frente Pela Diversidade – Volta Redonda, comunicamos nosso pesar diante do assassinato da Travesti Aline Beatriz, também conhecida como Bombom, fato ocorrido no município de Resende , no dia 12/04/2022. Também repudiamos a violência transfóbica que vitimiza pessoas como Aline, inclusive expressa na cobertura irresponsável e desinformadora de dois jornais do sul fluminense.
Em primeiro lugar, prestamos nossos sentimentos e solidariedade e oferecemos nosso acolhimento a família, amizades e afetos de Aline. Entendemos que existe a perda de uma pessoa querida, sua rede de afetos e relações e isso não podemos recuperar. Nossas redes e corações estão abertos a quem queira nos procurar para falar sobre o ocorrido.
Para além da perda pessoal, nos causa sofrimento e indignação ver mais uma pessoa da nossa comunidade cair de forma tão brutal. Entramos em contato com o Centro de Cidadania LGBT – Sul Fluminense, que nos disse estar acompanhando o caso.
Precisamos, no entanto, destacar que no ano de 2021 foram registrados 140 assassinatos de pessoas trans no Brasil , sendo 12 no Estado de Rio de Janeiro. É preciso também destacar que o perfil da maioria das vítimas é mulher trans/travesti, preta ou parda, jovem. Justamente o perfil social de Aline.
São necessárias sim políticas públicas de combate ao preconceito e discriminação LGBTIfóbicos em todas as instâncias da sociedade, bem como formas de incentivar a promover oportunidades de trabalho, e estudo, e acesso a direitos humanos para a comunidade LGBTQIAP+,
Observando recortes de raça, classe e geração, mas sobretudo para mulheres trans/ travestis marginalizadas.
No entanto a mídia do sul fluminense vem cumprindo um papel vergonhoso com uma cobertura sensacionalista, irresponsável e transfóbica. Nos referimos aos jornais Tribuna Sul Fluminense e (outro jornal de Volta Redonda).
O primeiro, já reincidente nas suas posturas já denunciadas por nós, mais uma vez expõe o nome morto de registro da vítima, e se refere ao seu verdadeiro nome como “codinome”.
Mais uma vez , desrespeitando o nome que as pessoas trans escolhem para si, desinformando a população e reiterando uma narrativa contrária aos direitos humanos e a moral da pessoa em questão.
Além disso, exibe um vídeo do assassinato a sangue frio, mais uma vez querendo lucrar em likes com a exposição sensacionalista e sádica dos corpos trans e travestis.
Ambos os jornais em suas faltas na responsabilidade de informar corretamente e na consideração aos corpos e histórias das pessoas trans e travestis, deformam, desinformam e acabam por reproduzir e fazer o coro com a próxima violência transfóbica que virá a seguir.
Nós da Frente Pela Diverdade estamos abertes para o diálogo com quem quer lidar com honestidade e construir uma sociedade mais democrática, justa e solidária. Nós criticaremos durante as pessoas e instituições que nada fizerem contra ou mesmo concordarem com posturas lgbtifóbicas de qualquer tipo. Doa a quem doer.
Desejamos paz para Aline Beatriz, a bombom. Que ela seja lembrada por seus entes querides pelas suas melhores qualidade. Nós ainda estamos na guerra.
De acordo com A Associação Nacional de Travestis transexuais (ANTRA) em seu Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais em 2021. Disponível em :https://antrabrasil.files.wordpress.com/2022/01/dossieantra2022-web.pdf
