O cabo da Polícia Militar Janitom Celso Rosa Amorim, de 41 anos, que preso nessa sexta-feira (18) na operação “Bote Sujo”, do Ministério Público, foi o que matou a namorada Mayara Pereira no estacionamento do campus da universidade de Valença em novembro de 2020 após deixá-la por mais de duas horas refém dentro de um carro. O PM, que está na corporação desde 2006, era lotado no batalhão de Resende, no Sul Fluminense.
Ele mais dois policiais foram presos na operação “Bote Sujo”, que cumpriu mandados de prisão contra três policiais militares denunciados pelos crimes de associação criminosa voltada para a apreensão ilegal e comércio ilegal de armas de fogo no município de Barra Mansa. Os mandados foram expedidos pelo Juízo da Auditoria Militar do Estado do Rio de Janeiro e todos os alvos foram presos.
Além de Janitom, foram presos Luciano Julio de Souza, vulgo Batata, lotados no 37º BPM (Resende); e Renan Braga da Silva, lotado no 28º BPM (Volta Redonda), no exercício de suas funções, se juntaram para realizar “botes” em criminosos e apreender ilegalmente armas, sem apresentá-las à autoridade policial.
Em seguida, comercializar essas armas e munições com diversas pessoas, muitas delas sem porte de arma e com passagens policiais. Também ficou comprovado que o grupo chegava a realizar furtos de outras armas, valendo-se, inclusive, de ferramentas para o rompimento de obstáculos, como portões e cercas.
Ainda de acordo com a denúncia, “a investigação também comprovou que o policial militar e ora denunciado Julio de Souza, vulgo Batata, é um dos grandes responsáveis pela venda ilegal de armas e munições na Região Sul Fluminense, valendo-se do seu registro de CAC (Colecionador, Atirador e Caçador) para cometer tal delito”.
A operação foi Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Militar.
Outros crimes do Celsinho
No ano de 2010, o irmão de uma namorada do policial foi até a 90ª DP (Barra Mansa) para denunciar que a mulher havia sido agredida fisicamente pelo militar. O homem disse que a irmã não tinha ido até a delegacia porque estava muito nervosa. A polícia instaurou uma Verifação Preliminar de Informação (VPI), que acabou suspensa.
Em 2013, Janitom voltou a ser denunciado, dessa vez por lesão corporal e ameaça. A vítima também esteve na 90ª DP para relatar que foi abordado pelo policial, que era lotado no 28º BPM (Volta Redonda), mas estava sem farda. O homem afirma que foi revistado e, em seguida, agredido pelo PM com socos. O policial ainda teria colocado o revólver na barriga da vítima.
O homem afirmou ainda que no dia seguinte foi novamente abordado pelo policial, que colocou uma pistola em sua cabeça e o arrastou até uma caminhonete. A vítima narra que o PM abriu as portas do carro para que ninguém os visse. Já com as portas abertas, o policial determinou que a vítima arriasse a bermuda e a cueca para revistá-lo. Em seguida, disse que sempre que visse o homem “iria esculachá-lo”. O caso segue em andamento na delegacia.
No mesmo ano, outra vítima procurou a 90ª DP para fazer um registro de ocorrência contra o PM. O jovem relatou que foi agredido por um segurança de um posto de gasolina no bairro Santa Cecília, em Volta Redonda, com socos e pontapés no rosto e na nuca. O rapaz disse que possui uma desavença com o cabo Janitom, que teria sido quem pediu para o segurança lhe agredir. A vítima ainda relatou que Janitom estava no posto em uma viatura da Polícia Militar.
