Cafezinho com Roger Soares Colunas

Dias Toffoli x Liberdade de Expressão


Por Roger Soares

No cafezinho de hoje, eu vou relembrar que quando fui convidado para escrever, o cafezinho neste veículo de comunicação, até a direção do TRIBUNA, me perguntou por que eu insistia em criticar o STF…

Pois bem qualquer pessoa com um pingo de inteligência, já viu elefante voar em julgamentos do Supremo Tribunal Federal e pode sem fazer contas; avaliar que Dias Toffoli meteu-se numa toga justa ao requerer a censura de notícia veiculada a seu respeito, na revista eletrônica Crusoé e no site O Antagonista.

Cedo ou tarde, o caso chegará ao plenário. Ali, são reais as chances de revogação da ordem, que retirou do ar a notícia sobre Toffoli. Além de Toffoli, que pediu a censura, e do ministro Alexandre de Moraes, que a executou, são contabilizados como potenciais aliados da providência: Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski.

Imagina-se que na outra ponta estarão Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Celso de Mello.

No caso de Marco Aurélio de Melo que pode pender para um ou outro lado não afetará a decisão.

Ainda que Toffoli não se declare impedido de participar do julgamento, o placar seria de 7 a 4 ou 6 a 5 dependendo do posicionamento de Marco Aurélio — contra a censura.

Seria um vexame para Toffoli. Mas restaria, apenas como consolo, as próprias palavras ditas por ele mesmo, ao anunciar, em 14 de março, a abertura de inquérito sigiloso contra os inimigos do STF.

“Não existe democracia sem um Judiciário independente e sem uma imprensa livre”, declarou na ocasião…

Hoje são claras as demonstrações de que o Ministro jogou as palavras ao vento, que as devolve à luz da razão.
A Suprema ironia: a censura foi requerida por Toffoli no âmbito do mesmo inquérito que ele abriu há 32 dias, tecendo louvores à “imprensa livre”.

No ofício que remeteu ao relator Alexandre de Moraes, o magistrado requisitou “a devida apuração das mentiras recém divulgadas por pessoas e sites ignóbeis que querem atingir as instituições brasileiras.”

Alguma coisa subiu à cabeça de Toffoli no instante em que ele imaginou que sua imaculada figura representa as “instituições brasileiras.” A reportagem censurada foi extraída de documento endereçado por Marcelo Odebrecht à Polícia Federal.

Nele, o empreiteiro-delator sustenta que o codinome “amigo do amigo do meu pai, encontrado num e-mail… Ou seja: há provas cabais!
Uma pena que tenha sido decodificada agora, a mensagem é de 2007. Nessa época, Toffoli era “amigo” e advogado-geral da União na gestão de Lula, o “amigo” de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht.

Quer dizer: não há vestígio de ligação do caso com a reputação das “instituições brasileiras”….

O erro de Toffoli foi primário, bem digno de quem nunca escreveu um livro sobre o tema, mesmo que fosse “sui generis” e que nunca tenha consigo passar em um exame ou concurso público. Isso mostra, que ainda temos, as sementes plantadas ainda por Lula se manifestando contra a democracia e a livre opinião, que a Revista Crusoé, o site: O antagonista e o nosso TRIBUNA tanto defendem.

Um brinde a Toffoli com um bom café amargo para curar a ressaca que virá!

(*) empresário

1 Comentários

    • Fernando 21:47

      Sempre bem sensato o colunista

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