Sob clima de forte emoção, a idosa Joselia Cerqueira, de 81 anos, que morreu após ser atacada por um cão da raça pitbull, em Nilópolis, na Baixada, nesta sexta-feira(15), foi enterrada na manhã deste sábado (17) Cemitério Municipal da cidade.
Consternados, amigos e familiares de Dona Lina, como era conhecida, pediram justiça e cobraram pela aplicação da lei estadual que estabelece o uso de focinheira. A idosa foi atacada pelo cachorro na rua onde morava quando ia para uma igreja evangélica.
“Foi muito horrível. Minha mãe saiu às 6h30 para ir à igreja dela, toda sexta-feira ela fazia isso. Uma pessoa imprudente deixou um cachorro daquele porte, sem uma focinheira, ainda com o portão aberto. Eu quero justiça sim. Ele (o tutor do pitbull) falou na entrevista dele que perdeu o cachorro, eu perdi minha mãe. Hoje ela vai ser enterrada. Foi com uma bocada do cachorro dele que minha mãe veio a óbito. Onde estão as leis? Elas precisam funcionar. Eu não aceito isso. Quero justiça. Está doendo muito”, desabafou Lurdes Maria, filha da idosa.
O uso de focinheira é obrigatório por lei estadual, desde 2005, em raças consideradas ferozes como pitbull, rotweiller e dobermann. Muito abalada, Lurdes contou que mãe venceu a covid aos 81 anos e era uma mulher guerreira.
Morava há 46 anos em Nilópolis. “Ela (Joselia) veio de um lugar pequeno e venceu no Rio de Janeiro, lutou, trabalhou e construiu a vida dela. Ajudou filhos, netos e bisnetos”. A idosa deixou quatro filhos, nove netos e três bisnetos.
Ainda conforme Lurdes, a família tutora do cachorro omitiu ajuda à idosa. “Foi de frente para casa deles e ninguém veio socorrer a minha mãe. Eu quero justiça, não vou ter minha mãe de volta, mas isso não pode acontecer com outras pessoas”.
De acordo com Marinete Dionízio, outra filha de Joselia, após o ataque do cachorro, a Guarda Municipal retirou o pitbull do local. “Espero que as investigações na delegacia tenham andamento. Naquela rua tem uma creche, uma escola. Minha mãe saiu de casa e morreu na outra esquina”.
