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Sigilos de Lula e Flávio: acordo assinado, transparência ainda à prova



Após negociação entre Lula e Flávio, a transparência prometida precisa se traduzir em documentos disponíveis para fiscalização.

A disputa sobre a abertura dos sigilos de Lula e Flávio Bolsonaro chegou a um acordo, mas a assinatura não encerra o assunto. Autorizar a divulgação e colocar informações à disposição do público são etapas diferentes. É pela entrega que as duas campanhas devem ser cobradas.

Lula apresentou a proposta de abertura recíproca dos dados bancários, fiscais e telefônicos, incluindo familiares e pessoas jurídicas vinculadas aos candidatos. Flávio aceitou mediante exigências adicionais, entre elas a inclusão de assessores e empresas ligadas aos filhos do presidente. A campanha petista concordou com a ampliação.

O registro desses movimentos é necessário para evitar uma versão imprecisa dos acontecimentos: houve negociação e aceite, não uma recusa definitiva de Flávio. Também seria precipitado tratar o acordo como prova de que tudo já foi esclarecido.

A cobrança agora deve alcançar o conteúdo, a abrangência e as condições de acesso aos documentos. O eleitor precisa saber quais informações foram efetivamente divulgadas, a que período se referem e se existem lacunas relevantes. Anúncios de campanha não respondem a essas perguntas.

Preservar o sigilo é um direito, e sua manutenção não constitui prova de crime. Da mesma forma, prometer abri-lo não é certificado de inocência. Suspeitas precisam ser investigadas; documentos precisam ser examinados com contexto e rigor.

Ao transformar a divulgação em compromisso público, os candidatos assumiram uma obrigação política que não se resolve com declarações de vitória sobre o adversário. A medida de transparência será o que puder ser conferido  inclusive por quem faz perguntas incômodas.


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