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8 DE MARÇO – Pela Vida e por Direitos da Mulher
Por Conceição Santos


O “8 de Março” surgiu das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho e pelo direito ao voto. Há mais de 100 anos que essa data passou a ser referência na discussão do papel da mulher na sociedade.

Um dia especial para celebrar a luta contra o preconceito, pela igualdade dos salários e condições de trabalho e, mais do que nunca, pelo fim da violência contra as mulheres.

Desde aquela época, a luta das mulheres já era por redução da carga diária de trabalho, equiparação de salários com os homens e por tratamento digno dentro do ambiente de trabalho e, hoje, mesmo com avanços, as mulheres ainda sofrem, em muitos locais, por salários baixos, violência, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional.

Muito foi conquistado, mas muito ainda há de se perseguir para ser modificado.

Relatório recente aponta que, no mundo, as mulheres recebem, em média, 2/3 dos salários dos homens e representam 39% da força de trabalho; que a desigualdade em rendimentos produz uma perda de mais de 23 mil dólares por ano, por pessoa.

Pagar menos às mulheres gera menos dinheiro em circulação, faz com que se poupe menos, se consuma menos e, consequentemente, se pague menos impostos.

No quesito violência, a questão é mais grave. Só nos últimos 12 meses, 16 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência, entre elas, 4 milhões e 700 mil sofreram agressão física, chute, socos, empurrões. E somente 15% procuraram ajuda da família e 10,3% buscaram uma Delegacia da Mulher, sendo que 76% das agressões foram cometidas por conhecidos (namorado, marido, companheiro, ex-companheiro, ex-namorado, vizinho).
São vários os desafios.

No empoderamento das mulheres, é preciso enfrentar a pouca representação feminina na política e nos espaços de poder e decisão. Na questão profissional, é preciso buscar maior valorização do trabalho em todos os campos como salários iguais para trabalho igual; maior ocupação em gerências e chefias; e o fim do assédio sexual e moral.

Pelo fim da violência contra as mulheres, a luta é pela conscientização da necessidade de denunciar seus agressores e exigir a efetiva aplicação da Lei Maria da Penha, que garante a proteção, punição e ajuda na construção da autoestima, oferecendo condições para que saiam deste ciclo vicioso da violência.

A maior parte das mulheres não denuncia. Vezes porque a polícia não quis registrar; vezes por medo, por vergonha, descrença nas instituições policiais, dificuldade em provar que houve violência, como se a palavra da mulher não tivesse nenhum valor.

É preciso exigir do Estado investimento na capacitação dos(as) policiais e agentes de segurança. Criar um protocolo comum de atendimento para que toda autoridade policial saiba como tratar uma mulher, vítima de violência doméstica e/ou sexual. Ampliar as redes de serviços e secretarias de atendimento as mulheres (centros de referência de atendimento à mulher, casas abrigo…).

E, finalmente, não permitir retrocessos nas políticas públicas em nível federal, estadual e municipal. Além de, fundamentalmente, trabalhar pelo fim da cultural machista e patriarcal, que submete as mulheres a toda sorte de discriminação e violência.

Transformar essa
realidade covarde e perversa das mulheres é URGENTE. Neste ‘8 de Março’ estamos lutando pelo FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA À MULHER, CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E POR NENHUM DIREITO A MENOS!

CONCEIÇÃO SANTOS É MEMBRO DA COMISSÃO ESPECIAL DE SEGURANÇA DA MULHER – RJ
COORDENADORA DA SECRETARIA DA MULHER DO SINDMETAL-SF
DIRETORA DA ASSOCIAÇÃO DE MULHERES BETH LOBO

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