Os cães conhecidos como melhor amigo do homem, agora têm uma nova missão. Para quem enfrenta dias difíceis, a presença de um cão de suporte emocional pode ser o abraço silencioso que cura. Esses companheiros fiéis se tornaram essenciais no combate a transtornos como ansiedade, depressão e pânico. E, graças à Lei Estadual 9.317/2021, a “Lei Prince”, esses animais agora têm seu direito de locomoção garantido, ampliando o acesso ao apoio emocional onde for necessário.
Aprovada no Rio de Janeiro, a legislação garante a presença desses animais ao lado de seus tutores em locais públicos e privados de uso coletivo, como meios de transporte e estabelecimentos comerciais. A única exceção são ambientes que exijam esterilização, como hospitais. Quem impedir o acesso do cão de suporte emocional pode receber uma multa de até R$ 4 mil, destinada ao Fundo Especial de Apoio a Programas de Proteção e Defesa do Consumidor.
Prince: o primeiro cão de suporte emocional que inspirou novos direitos
A lei é uma homenagem a Prince, o primeiro cão de suporte emocional da bióloga Danielle Cristo. Após a perda da mãe, Danielle enfrentou um quadro de ansiedade intensa, encontrando em Prince o apoio necessário para sua recuperação. Durante nove anos, Prince foi seu companheiro e suporte emocional, ajudando-a a lidar com o dia a dia e a resgatar sua confiança. “Ele me ajudava a interagir e me locomover com mais segurança. Quando estou com meu cão, tudo fica menos tenso”, relembra Danielle.
A despedida de Prince foi repentina e dolorosa. No último dia juntos, Danielle o levou para passear e até visitaram uma cachoeira. “Foi traumático porque ele não ficou doente, simplesmente passou mal e se foi,” conta ela. Prince partiu, mas o impacto que teve na vida de Danielle foi profundo e duradouro.
Hoje, ela tem a companhia de Rudá, seu segundo cão de suporte emocional, uma nova parceria que levou tempo para ser aceita. “Meu marido insistiu para que eu tentasse de novo, mas eu só fazia comparações. Foram quase doze meses até eu conseguir ver o Rudá com olhos próprios, sem as sombras de Prince. Era como se ele soubesse exatamente o que precisava fazer”, admite Danielle. Rudá, rapidamente, adaptou-se às necessidades da tutora, e agora ela não consegue imaginar sua vida sem ele.
Desde a aprovação da lei, mais de 200 tutores já solicitaram a identificação oficial de seus cães, permitindo que esses companheiros circulem livremente ao lado de quem precisa de seu suporte.
Entenda como funciona a lei que garante direitos para cães de suporte emocional:
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Objetivo da Lei
Reconhecer os cães de suporte emocional como essenciais para o bem-estar de pessoas com transtornos como ansiedade, pânico e depressão
Direitos Garantidos
Livre circulação: os cães de suporte emocional têm o direito de acompanhar seus tutores em locais públicos e privados de uso coletivo
Meios de transporte: permite a presença dos cães em qualquer meio de transporte público
Estabelecimentos comerciais: os cães podem entrar em lojas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais
Identificação dos Cães
Os cães de suporte emocional devem ter uma identificação oficial, que inclui um crachá com foto, garantindo a legitimidade de sua função
Restrições
A única limitação se aplica a locais que exijam esterilização individual dos animais
Multa por Descumprimento
O valor da multa para quem impedir a circulação dos cães de suporte emocional pode chegar a R$ 4 mil, revertido para o Fundo Especial de Apoio a Programas de Proteção e Defesa do Consumidor
Impacto e Resultados
A lei já beneficiou mais de 200 tutores de cães de suporte emocional, proporcionando segurança e qualidade de vida
