Sul Fluminense

Abrindo mão do emprego fixo para encarar o trabalho autônomo



Por Tribuna

Somente nos seis primeiros meses de 2019, a região sul fluminense registrou 50.126 aberturas de microempresas. Esse número já ultrapassa o total de aberturas durante o ano de 2018, que soma o total de 47.093.

O levantamento feito pelo Sebrae Rio de Janeiro reflete a busca pela independência financeira ou por ocupar espaço no mercado de trabalho.

Adaptar-se às novas possibilidades é um dos maiores desafios do MEI (Microempreendedor Individual).

A reportagem especial do TRIBUNA mostra histórias de pessoas que estão cada vez mais abrindo mão do emprego fixo e se desafiando ao entrar no mercado autônomo.


Crise garante novas oportunidades


O Rio de Janeiro é o segundo maior estado em quantidade de MEIs, perdendo apenas para São Paulo. E 30,1% desses microempreendedores têm idade na faixa de 31 a 40 anos.

Um deles é a jovem Daiana Maurílio, 29, moradora de Barra Mansa (foto acima). Foi na cozinha de casa que ela descobriu a melhor forma de driblar a crise.

Uniu o amor por fazer doces com a necessidade de garantir uma renda e criou sua empresa, o Ateliê de Doces Daiana Maurílio.

Daiana conta que o amor pela culinária veio desde pequena, porém nunca se viu comercializando suas criações.

O pontapé inicial foi em 2014, quando a crise financeira no Brasil gerou desemprego, inclusive o dela.

— Eu sempre fui elogiada pelas minhas receitas, porém, em casa, a gente não leva tão a sério. Numa confraternização no meu antigo serviço, levei um bolo de cenoura. Todos amaram, mas foi um colega de trabalho que me disse estar perdendo dinheiro, e me fez guardar essa ideia — relembrou o conselho.

Desempregada e com dificuldades de manter suas despesas, ela resolveu arriscar.

— Comecei a comercializar bolo de pote. Ia de porta em porta, nas escolas próximas à minha casa, postos de saúde e lojas. Com pouco tempo o negócio, foi se expandindo e eu comecei a receber encomendas de bolos confeitados — declarou, acrescentando que hoje é mais adepta a encomendas por meio das redes sociais.


Do trabalho braçal à delicadeza dos bolos 


Atualmente a jovem concilia seu emprego como operadora de ponte rolante com as encomendas e, apesar de ter uma agenda corrida, em um mês ruim chega a fazer cerca de 20 bolos.

— Como qualquer profissional autônomo, os meses são variados, tem meses que são muito bons e outros nem tanto, eu já cheguei a fazer 40 bolos em apenas um mês — disse, informando que o lucro mensal gira em torno de R$ 800 a R$ 1.500.



O mês de maior produção, de acordo com Daiana, é sem dúvidas a Páscoa, seu período mais lucrativo.

— São três dias de produção. Geralmente nesse período eu faço de 60 a 100 ovos tradicionais e infantis. Como resultado o lucro é muito significativo.

A confeiteira ainda fez questão de frisar algo muito importante.

— As pessoas que querem empreender precisam priorizar a qualidade de seu produto antes de visar o lucro em si, pois quando você prioriza a qualidade você consegue fidelizar o cliente. Muitos acham que vendendo mais barato conquista mais clientes, mas o produto de baixo custo não garante qualidade e sucesso.


A adaptação que tem dado certo


O estudante do sétimo período do curso de Direito do UBM (Centro Universitário de Barra Mansa), Gabriel Costa, de 21 anos, morador de Barra Mansa, há dois anos, iniciou sua atividade como empreendedor na área de moda feminina. Tudo começou após o jovem começar sua graduação. Nesse momento ele percebeu a necessidade de trabalhar em um local onde conseguisse conciliar sua formação com um emprego.



Vindo de família formada por pessoas que são do ramo de vendas e tendo no início o apoio de sua mãe, ele entrou para a área comercial. Hoje garante não ter arrependimentos e afirma que, mesmo após conseguir o diploma, manterá seu investimento.


No início não é fácil para ninguém, o lucro demora um pouco para a gente sentir, mas eu já tinha isso em mente, por isso não me abalei – ressaltou o jovem, garantindo que seu faturamento atual gira em torno de R$ 10 mil/mês.


Para garantir que seus produtos estejam sempre de acordo com o gosto de seus clientes, Gabriel Costa viaja para buscar novas mercadorias, pelo menos uma vez por semana.

— A moda, principalmente a feminina, se renova a cada dia. A televisão contribui muito com isso. Muitas clientes chegam na loja e perguntam: “Tem aquela blusa da personagem tal?”. Se a gente não se adaptar a essas necessidades, acaba perdendo a clientela – frisou.

Um importante aliado do jovem, que ajuda muito na divulgação e venda de seus produtos, é sua página no Instagram, que hoje conta com mais de dois mil seguidores.

— Eu e minha noiva Duda administramos a página e a loja. Decidimos usar a tecnologia ao nosso favor, muitos clientes compram e fazem encomendas através do perfil. Sempre buscamos meios de consolidar nossa clientela, oferecendo o melhor serviço possível.


Sucesso exige muito mais do que técnicas


Investir ou empreender vai muito além de abrir um negócio e começar a vender. É extremamente importante a disciplina, planejamento e motivação. O diretor corporativo e comercial do Instituto Way – Treinamento, Desenvolvimento e Coaching, Lucas Andrade, explicou que o empreendedorismo vai muito além das técnicas.



— Nosso objetivo como empresa é estimular o desenvolvimento pessoal através de consultorias. Para empreender, a pessoa precisa acreditar em si e para isso realizamos treinamentos que buscam o aperfeiçoamento pessoal de cada um. Porém, a chave do sucesso é saber o que quer fazer e ser bom naquilo, pois num mundo onde há uma grande competitividade o diferenciado que se destaca – disse.

Lucas Andrade ainda separou as principais dicas para aqueles que querem começar com um negócio.


Um bom empreendimento nasce dentro de uma visão estruturada e contínua de uma pessoa. A principal dica é responder as perguntas: Por que empreender? Pra quem levar? Qual o diferencial do meu produto? É viável? É importante estimar um prazo de investimento e faturamento mensal também.


De acordo com Lucas Andrade, os maiores setores que têm registrado crescimento na região são nas áreas da saúde, alimentação, vestuário e estética.

– São setores que nunca deixam de ser consumidos, por isso é importante trazer algo novo para o mercado e se tornar destaque – enfatizou, acrescentando que a internet tem se tornado uma grande aliada nesses setores.

E, é claro, criar páginas nas redes sociais diminui custo.

– O investidor pensa: Não preciso abrir uma loja física, ele trabalha com a virtual e ainda pode acrescentar outras atribuições ao seu dia.

Edição: Cláudio Alcântara


 


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