Volta Redonda

Saúde Mental do Aterrado passa a se chamar Enfermeiro Serginho




A Clínica Municipal de Saúde Mental do Hospital Dr. Nelson Gonçalves (antigo Centro de Assistência Intermediária de Saúde – Cais Aterrado), em Volta Redonda, passará a se chamar, a partir desta terça-feira (19/4) Enfermeiro Sérgio Luiz Felipe, o Serginho.

Trata-se de uma homenagem ao ex-coordenador da Saúde Mental de Volta Redonda, que morreu no dia 30 de janeiro do ano passado, aos 43 anos, de Covid-19, contraída durante o exercício de suas funções de assistência pré-hospitalar.

Às 9h, familiares, amigos e representantes do poder público, em meio a uma singela apresentação musical, vão descerrar a placa com seu nome no local. A homenagem é fruto de um projeto de lei do vereador Dinho, aprovado por unanimidade pelos parlamentares, levando-se em conta sua bela trajetória profissional, iniciada em 2001.

– É uma justa lembrança, que nos dá certo conforto e vai eternizar sua luta incansável por mais direitos e dignidade dos pacientes neste setor tão importante da saúde pública. Meu marido foi um exemplo de cidadão e batalhador em prol da saúde mental, desde os tempos da Casa de Saúde Volta Redonda, que foi fechada com a reforma psiquiátrica. Trabalhou duro, realizou sonhos, conviveu de forma leve, sorriu e fez sorrir, foi feliz e cumpriu sua jornada. Agora, em plenitude, vive – emociona-se Kátia Ioste, com quem teve Victor, de 17 anos, e juntos somaram o amor de serem presentes na criação de Vinícius, de 21anos, filho unilateral de Sérgio Luiz.

Graças à sua dedicação, em 2017 Serginho assumiu a Coordenação Geral da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial), Área Técnica da Saúde Mental de Volta Redonda. Foi o idealizador de um projeto pioneiro no município, com a criação de Oficina Terapêutica ligada ao setor de leitos de urgência emergência na Clínica de Saúde mental, inaugurada em agosto daquele ano.

Visionário, priorizou o trabalho humanizado no cuidado aos pacientes com transtornos mentais e dependência química. Explorador das potencialidades de suas equipes dando assim a oportunidade de cada um desempenhar seu trabalho com liberdade e parceria. O respeito aos colegas de trabalho e, sobretudo, aos pacientes, lutando por mais dignidade e cidadania, sobretudo, a eles.

Biografia
Sérgio Luiz Felipe, filho de Maria de Lourdes Felipe e Agostinho Felipe, caçula dos homens de uma família com 10 irmãos, iniciou sua paixão pela enfermagem aos 21 anos de idade, quando precisou aprender com uma enfermeira, os cuidados que deveria ter com sua mãe, portadora de insuficiência renal crônica.
Era notável seu entusiasmo para aprender as técnicas necessárias ao seu cuidado, não apenas para dar uma qualidade de vida a sua mãe, era algo mais, muito mais profundo…
Seu amor e dedicação pela família sempre foi inspirador. Caçula dos homens, de uma família enorme em todos os sentidos; enorme no amor, cumplicidade, carinho, alto astral e muita fé, passou a ser considerado como um pai. No exercício da paternidade se realizou como homem e nos deixou duas lindas e as mais preciosas heranças, Vinícius e Victor.
Trabalhou no comércio, sempre feliz, irreverente, brincalhão, mas não realizado profissionalmente, foi quando, decidiu investir em seus estudos e em 2001 iniciou sua jornada na área da enfermagem, esse foi apenas o início de uma vida dedicada a enfermagem e ao bem-estar do próximo.
Serginho, como era carinhosamente conhecido, fez da enfermagem sua missão aqui na terra. Nada foi muito fácil, como técnico de enfermagem precisava trabalhar a noite, para concretizar mais uma das suas muitas conquistas e não desanimou de seguir estudando e ingressou na faculdade de enfermagem, fez Pós-graduação em enfermagem do trabalho, se especializou em Psiquiatria e Docência.
Seu jeito extrovertido e dedicado chamava atenção de alunos e professores, nós quais de mestres passaram a ser amigos. Trabalhou na área da psiquiatria no Cais do Aterrado e se destacou pela paciência, amor e dedicação aqueles que por muitas vezes não eram compreendidos devido aos transtornos mentais, sua sensibilidade se destacava.
Lágrimas rolavam de seus olhos, ao relatar sobre uma abordagem a um paciente portador de esquizofrenia. Ao indagar sobre o motivo do paciente estar colocando pedacinhos de jornal nos ouvidos e a resposta ser: “são as vozes, não quero ouvir as vozes”, como isso mexeu com ele e deu ainda mais força para continuar sua missão, de ampliar a inclusão e condições justas de atenção ao paciente portador de doenças mentais.
Serginho teve a oportunidade de contribuir com a sua luz, por todos os lugares onde trabalhou. Na Casa de Saúde Volta Redonda, acompanhou de perto a desmobilização dos manicômios, Cais Aterrado, Hospital Santa Margarida, Nova Dutra, Votorantim, PMVR e ICT. Contribuiu com seu saber científico. Seu profissionalismo e paixão, transcendeu os atendimentos hospitalares e domiciliar, ele por diversas vezes acolheu em seu lar, pessoas que precisavam de cuidados, sempre se colocou à disposição em ajudar.
Trabalhou como professor na área da enfermagem no ICT, onde havia se formado a anos, como técnico de enfermagem, mais uma vez, seu carisma e sua paixão por cuidar é nítida… Sergio foi como o filho pródigo, a sua casa voltou e fez o seu melhor. Combateu o bom combate, e nos deixou no exercício da profissão que tanto admirava. Ao partir, deixou saudades e uma linda lição de vida, onde aflorou o amor, a graça, competência e a leveza, que é e sempre será reconhecida por todos. Serginho é um exemplo a ser seguido de amor ao próximo e à sua profissão.


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