Por Tribuna
Volta Redonda não pode parar. E, para isso, têm aqueles que trabalham na madrugada enquanto a maioria está embaixo das cobertas, na cama quente.
A equipe de reportagem do TRIBUNA percorreu durante três dias alguns pontos da cidade para ouvi-los. E sentir na pele o que é enfrentar as baixas temperaturas no trabalho.
Chegando próximo ao inverno, que inicia no próximo dia 21, eles têm suas estratégias para enfrentarem o frio que atinge até 9ºC.
“Acostumado não estou e nem gosto. Mas é necessário. Preciso enfrentar o frio para ganhar o pão de cada dia”, disse Lucas Campos, 23, motoboy de um aplicativo de entrega. “Coloco duas calças, duas blusas…”. (foto acima)

“As entregas caem pela metade”, dizem
O frio de Volta Redonda pega até aqueles que vieram de terras mais geladas. Esse é o caso dos pai e filho Wellington e Gustavo Du Rocher, 60 e 30 anos (foto acima), que são de Santa Catarina e moram no município há três anos.
“Frio é frio em qualquer lugar”, disse Gustavo. O pai dele complementou: “O que sinto mais é na queda das vendas. As pessoas se escondem”. Os dois têm um bar que funciona diariamente no Aterrado, de meia-noite às 6 horas.
Estratégias

“Pior horário é o de saída, por volta das 6 horas”, conta Alessandra de Souza, 38 anos, caixa de uma loja de conveniência.
“Varro, atendo os clientes, peço para calibrar o pneus. Só não ofereço limpar o para-brisa. Isso é tortura”, brinca um frentista, que preferiu o anonimato.
Reinaldo Nicolau, 43 anos, segurança de uma casa noturna, aposta no calor humano para as madrugadas geladas: “A gordurinha a mais ajuda também”. Mesmo com os termômetros marcando 9ºC, ele trabalha com camisa de manga curta.

“Calor humano ajuda”, conta segurança.
Saúde comprometida
As baixas temperaturas provocam um fenômeno chamado vasoconstrição nos capilares, com relata o médico Drauzio Varello, em seu site. “Eles são pequenos vasos sanguíneos que existem sob a pele e chegam aos tecidos mais profundos. Os capilares têm uma delgada camada muscular capaz de contrair e relaxar de acordo com a necessidade metabólica ou diante de estímulos externos e internos”, explica.

“No caso da exposição ao frio, a vasoconstrição ocorre para evitar a perda excessiva de calor e manter a temperatura corporal estável. Entretanto, a falta de proteção adequada às baixas temperaturas pode fazer com que o fenômeno seja tão intenso a ponto de impedir a circulação normal do sangue em determinada região do corpo (perfusão tecidual insuficiente)”, explicou o médico.
Sintomas
Essas lesões costumam acontecer com maior frequência em extremidades: nariz, orelhas e dedos dos pés e das mãos.
“O primeiro sintoma de proteção inadequada ao ambiente é a sensação de pele fria. Depois, surge formigamento ou queimação. Se você sentir que uma parte do seu corpo está formigando ou queimando, é importante aquecê-la rapidamente. Geralmente, nessas situações, a pele ainda está rosada, ou seja, ainda há perfusão adequada. Nesses estágios, também podem surgir bolhas, claras ou hemorrágicas”, finaliza.
O taxista Guilherme Almeida, 38 anos, alerta: “O pior ainda não chegou”.
E ele tem razão.
