Por Tribuna
Maria Eduarda de Souza, 45 anos, vive uma trama familiar. Há duas semanas, ela perdeu sua avó de 87 anos e seu tio de 59 para o Covid. E ainda: seu pai, 65 anos, e seu irmão, 39, estão internados com a doença. Ela também foi diagnosticado, mas os sintomas foram leves.
“Só sabe de verdade quem passa por isso”, resume ela, moradora de Volta Redonda. Ela faz parte da estatística divulgada pelo governo do estado e mostra que o maior município da região está em colapso.
Segundo dados do estado, a ocupação dos eleitos de UTI está em 95%. A cidade, segundo o estado, tem 158 vagas no tratamento intensivo. Desses, estão ocupados 150 – restando apenas oito vagas para uma população de quase 280 mil moradores.
Quando se refere às enfermarias, a situação piora ainda mais. O índice chega a 98%. A cidade, ainda de acordo com o Governo do Estado, tem 89 leitos; restando apenas duas vagas. Os dados são da noite desta sexta-feira (26) e estão no painel do governo estadual.
Só no intuito de comparação, as outras quatro maiores cidades da região estão numa situação mais confortável.
Em Barra Mansa, o índice está em 45% (96 leitos no total) para as enfermarias e 95% (22) na UTI. Em Angra, o índice está entre 80% (25 leitos) a 90% (30), nas UTI e enfermarias respectivamente.
Em Resende, o índice de enfermaria está em 70% (20 leitos no total) e 54% (13 leitos). Já Barra do Piraí o índice chega a 57% nas enfermarias (25 leitos) e 50% (10) na UTI.
O prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto, reconheceu que a cidade sofre um momento calamitoso e pede para os moradores
contribuem evitando de sair de casa. Disse também que há dificuldade na contração de corpo clínico e também de equipamento para a abertura de novos leitos de UTI.
Além disso, o Hospital Unimed – maior unidade privado de Volta Redonda – divulgou que suspendeu as cirurgias eletivas por falta de insumos para os procedimentos.
Porém, negou que há um colapso de internação na unidade. Segundo a assessoria, 67% da capacidade dos leitos voltados ao Covid estão ocupados. O Hinja e Hospital Santa Cecília (antigo Vita) não se pronunciaram sobre a ocupação dos leitos.
