Por André Aquino
Com exclusividade, a equipe de reportagem do TRIBUNA teve acesso ao resultado do exame do IML de Resende sobre o Eliseu, bebê de oito meses morto dentro da creche municipal. O documento, assinada pela médica legista Alessandra Nogueira de Jesus, diz que a causa está na “dependência de exames laboratoriais”. Portanto, ainda não há confirmação do motivo.
A prefeitura de Resende divulgou à imprensa que o motivo teria sido “síndrome da morte súbita infantil”, o que não é comprovado no documento da legista. “O prefeito (Diogo Balieiro) está tentando tampar o sol com a peneira”, desabafou Grazielle Sampaio da Silva, de 25 anos, mãe de Eliseu, em entrevista exclusiva ao TRIBUNA. Na foto acima, ela aparece com o marido e pai de Eliseu, Jailson dos Santos Corrêa.
De fato, a causa da morte só será descoberta daqui a dois meses quando chegar o resultado do exame. A amostra do bebê foi enviada a um laboratório, no Rio de Janeiro.
Bebê não morreu no Hospital de Emergência, diz família
Além disso, a família também questiona que a criança não morreu no Hospital de Emergência, conforme foi relatado no Boletim de Urgência da unidade médica. O documento foi assinada pela médica pediatra Marta Lúcia Martins.
Em artigo publicado no site do Uol, o médico Dráuzio Valério valida a informação da família de Elizeu. Segundo Dráuzio, poucas causas de morte “são tão misteriosas e traumáticas para as famílias, quanto as que acontecem durante o sono de bebês aparentemente saudáveis”.
“Também chamada de síndrome da morte súbita do lactente, ela é definida como o óbito inesperado de um bebê no qual a autópsia não consegue apontar a causa. Não está claro se a morte ocorre durante o sono ou nos períodos de transição entre sono e vigília, que se sucedem durante a noite”, escreveu o médico, que continuou:
“O que se sabe é que o pico de incidência está entre 2 e 4 meses de idade, que é mais comum em meninos, que colocar a criança para dormir de barriga para baixo (em pronação) aumenta sobremaneira o risco e que a ocorrência depois dos 6 meses de idade é rara”. Elizeu tinha oito meses.
“O que me impressiona é que como teve uma morte súbita dentro de uma creche e o boletim diz que o óbito foi no hospital. Então, não a morte não foi súbita”, disse mãe.
Procurado, o prefeito de Resende, Diogo Balieiro, que é médico, ainda não se manifestou sobre as denúncias da família do bebê. Assim que se pronunciar, a reportagem será atualizada.
Eliseu está sendo velado na casa da avó e será sepultado no Cemitério Alto dos Passos, com o horário ainda ser definido. Eliseu tinha um irmão gêmeo.



