Por Felipe Rodrigues
Parece que é coisa do passado, mas não é. Está bem atual. O preconceito ainda está enraizado na sociedade. Talvez, de uma maneira mais velada. A realidade de ser mãe solteira é um desafio que tem ser cumprido com muito jogo de cintura.
A quinta e última personagem da série “Mãe Especial” é Dayene Castro, de 30 anos, que há sete anos se tornou mãe do pequeno Hendrick.
Nessa época, Dayene estava morando junto com seu ex-companheiro, pai de Hendrick, pouco tempo depois houve a separação do casal e o distanciamento com o filho.
A separação foi algo que privou a mãe de acompanhar o desenvolvimento do filho, o motivo? O pai da criança sumiu e não contribui com a criação do pequeno.
“O Hendrick tinha apenas quatro meses quando eu comecei a trabalhar. Graças a Deus tive minha mãe como suporte para cuidar dele nesse período, mas eu fui grande prejudicada em não conseguir acompanhar tudo como eu gostaria”, expressou a mãe.
“Existe, claro que existe preconceito com quem é mãe solteira. Se trabalha e deixa o filho com alguém é ‘desleixada’ se não trabalha, pois não tem com quem deixar e relaxada. Não importa o caminho que você segue, sempre terão pessoas para aportar suas decisões”, contou ela, que atualmente trabalha como balconista de uma farmácia.
Dayene conhece outras pessoas que vivem um drama ainda pior. “Muitas pessoas próximas a mim têm dificuldade de arrumar emprego por não ter com quem deixar a criança, os valores das creches particulares são absurdos e as públicas dificilmente tem vaga”, disse.
Outro impasse é relacionar com outras pessoas. “Atualmente eu estou namorando, mas eu conheço pessoas que terminaram o namoro porque descobriu que a namorada tinha um filho”.
Ausência do pai
“É muito triste sair com ele e no mesmo local ver uma família completa. Nesses momentos da para perceber que ele sente falta do pai”, contou.
Para a mãe, o fato de ter tido um menino seria de grande importância a presença do pai, principalmente na adolescência, fase em que as duvidas e curiosidades começam a surgir.
“Eu sei que vou ter que continuar fazendo o papel de dois em um, pois ele ainda vai precisar muito de mim, porém acredito que certos assuntos são de pai para filho, quero que ele tenha a liberdade de sempre conversar comigo sobre qualquer assunto, mas não sei como será daqui a uns anos”, falou.
Fazendo o possível pelo filho
Apesar das dificuldades, criar um filho sozinha contando com a ajuda dos pais, não é algo que Dayene encara como um fardo, muito pelo contrário, o limite é sua meta. “Eu sempre costumo dizer que tudo na vida tem solução, mesmo com as dificuldades faço o possível para seguir em frente sempre correndo atrás e trabalhando para dar um futuro melhor para o filho”, frisou.
A mãe ainda completou. “Muita coisa eu agüento por ele. Ele que me motiva a crescer e ser uma mulher, mãe e profissional melhor. Tento ser o orgulho dele para que amanhã ele me encha de orgulho, trilhando ótimos caminhos, constituindo uma linda família e sendo muito feliz”, finalizou a mãe.
