Por Tribuna
Debaixo de cobertas esfarrapadas e organizadas sobre um colchonete gasto, com um gorro de um marrom há muito desbotado, o morador de rua Luiz Lima, 44 anos, viu resignado a noite cair, na sexta-feira (17), após um dos dias mais frios do ano em Volta Redonda.
Ao redor dele, esperando os ônibus que as levariam de volta ao conforto do lar, passavam pessoas com casacos, cachecóis, luvas, os braços envolvendo o corpo, a expressão traduzindo os cerca de 13º que fazia no cidade do Aço.
O amigo de Luiz, Carlos, não reage com surpresa à notícia de que foi registrada, algumas horas antes, uma das madrugadas mais fria de 2019 no município. Ele conta que os dias, acabam sendo muito parecidos.
A diferença, relata, é principalmente sazonal: no inverno, fica tudo pior, é mais difícil receber doações, conseguir se alimentar, encontrar uma mão amiga.
– Está frio, mas fazer o quê? Tem que enfrentar isso sozinho. Nós e Deus.
A resignação ecoa nos lábios rachados de frio de Carlos. Enfrentar o frio é tratado como apenas mais um obstáculo, a ponto de não merecer destaque na conversa entre eles.
Naquele início de noite, foi a inevitabilidade das estações que havia pautado uma troca de ideias entre os amigos.
— Tem que ter inverno, tem que ter verão. Faz parte da natureza — fala ele.
De “cara limpa”, como define o morador de rua, ambos dizem que preferem estar ali, visíveis em um ponto bastante movimentado da cidade, do que buscar cantos recônditos – mais silenciosos, explicam, porém também mais perigosos.
Há previsão é neste domingo seja a madrugada mais fria do ano, atingindo 7ºC.
