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Polícia investiga morte de jovem de 21 anos; família acusa o ex




Anderson Ribeiro, advogado e cunhado de Joice Hernandes, de 21 anos, morta no último domingo (17), em Magé, Região Metropolitana do Rio, disse que a família já havia tentado impedir que o suspeito de ter envolvimento na morte da jovem se aproximasse dela.

Contra o homem havia uma medida protetiva que proibia qualquer contato com a vítima. Joice era diagnosticada com bipolaridade e esquizofrenia. Ela deixa uma filha de três anos, que fez aniversário no dia da morte de Joice. O suspeito alega ser pai da criança, mas a família nega.

Anderson disse que a família só ficou sabendo da morte de Joice através de uma postagem em uma página no Facebook, administrada pelo suspeito. “Corremos para o posto de saúde e a assistente social conversou com a gente, disse que era muito sério, muito grave, que ela já chegou em óbito no hospital e falou que a avaliação médica era de que ela já havia morrido há algumas horas”, conta Anderson.

Joice deu entrada no posto 24 horas de Fragoso, em Magé, já em óbito, no domingo (17). Segundo Anderson, a assistente social da unidade disse que a informação passada pelo suspeito era de que a jovem era moradora de rua e havia sofrido uma overdose. O homem teria fugido do local quando soube que a equipe médica decidiu chamar a polícia para apurar o caso. Anderson diz que no IML a informação passada aos parentes foi de que Joice teria sofrido uma overdose. Ela era usuária de cocaína.

“Ele fingiu que não a conhecia, disse que socorreu uma moradora de rua e não falou que era ex-companheiro. A equipe achou suspeito, chamou a PM e ele fugiu”, explica o cunhado da vítima. Joice estava desaparecida desde sexta-feira (15) e, segundo Anderson, ela tinha o costume de sumir por dias e depois, voltar para a casa do pai. Após a divulgação da morte da jovem, o suspeito publicou uma nota em sua página de notícias na internet alegando que a abrigou em casa e a levou ao pronto socorro, pois ela estava passando mal.

“Ela me procurou porque me via como protetor. Eu nunca fecharia a porta da minha casa para a mãe da minha filha do jeito que ela se encontrava. Eu via minha ex-namorada sem poder ajudar por causa de uma medida protetiva. Usar drogas todos os dias, dormir na rua e passar fome nas ruas de Piabetá. A família abandonou Joice e não permitia que ela visitasse a própria filha”, diz parte da publicação na página administrada pelo suspeito.

A família diz que o homem oferecia drogas à Joice como forma de mantê-la por perto e que ele não era o pai da filha dela. “A filha era da Joice, não era dele. Ele não registrou, não tem exame de DNA e ela dizia que era de outro homem”, disse. A menina é criada por uma prima da jovem.

O cunhado de Joice alega que o homem já havia abusado da jovem quando ela tinha 17 anos, foi preso por estupro de vulnerável, mas ganhou liberdade há pouco tempo. No processo contra o suspeito consta que a vítima não tinha discernimento para se envolver sexualmente com ele.

Joice chegou a ficar internada no hospital psiquiátrico de Magé e o pai dela assinou um documento proibindo visitas do suspeito. No entanto, ele conseguiu acesso ao local onde a vítima estava internada para continuar a vê-la. Nos autos das investigações, uma amiga da jovem diz que ela se prostituía em troca de drogas e comida e que o suspeito a manteve presa dentro da casa dele por quatro dias.

Anderson diz que Joice era uma jovem alegre e dócil, mas que era ingênua e que sofria abusos com frequência. Segundo ele, diversas petições foram encaminhadas ao Ministério Público para que o órgão fizesse o pedido de prisão preventiva contra o suspeito. Entretanto, a entidade alegava que precisava de mais provas contra ele.

“Ela era uma pessoa dócil, alegre. O mal dela era que ela era tão boa com todo mundo que não via maldade nas pessoas e os outros se aproveitavam dela. Esse homem fez um inferno na nossa vida, eles nunca namoraram. Ele gostava de levar ela para o canto, fazer o que ele queria com ela e jogar na rua”, disse.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense. (DHBF). Um pedido de prisão preventiva foi feito por Anderson, mas o suspeito alega que o pedido foi indeferido. O Ministério Público foi procurado para se posicionar sobre as petições do advogado da vítima, alertando sobre os descumprimentos das medidas restritivas, mas o órgão ainda não se posicionou sobre o caso.


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