A ativista iraniana Narges Mohammadi, voz do movimento histórico de seu país pelos direitos das mulheres, venceu o Prêmio Nobel da Paz 2023,anunciado nesta sexta-feira (6).
A premiação também chega na semana em que outra iraniana entrou em coma após ser abordada no metrô pela chamada polícia da moralidade, um braço do governo iraniano que fiscaliza as duras restrições impostas a mulheres no país (leia mais abaixo).
Embora tenha se tornando uma das lideranças do atual movimento, a atuação de Narges Mohammadi, de 51 anos, é ainda mais antiga.
Há duas décadas, Mohammadi é uma das principais defensoras dos direitos das mulheres e da abolição da pena de morte no Irã, um dos países que mais utiliza esse método de punição no mundo. Ela já foi presa seis vezes, a primeira delas há 22 anos.
Em farsi, Reiss-Andersen repetiu o lema dos protestos no Irã durante a premiação: “Mulheres. Vida. Liberdade”.
Mohammadi é a 19ª mulher vencedora do Nobel da Paz, que tem 122 anos de existência. A última mulher premiada havia sido a jornalista filipina Maria Ressa, em 2021.
Após a premiação, o marido da ativista disse que “este prêmio vai encorajar a luta dela pelos direitos humanos”. “Este é um prêmio para o movimento pelas mulheres, pela vida e pela liberdade”.
Mesmo atrás das grades, Mohammadi é atualmente vice-diretora do Centro de Defensores dos Direitos Humanos do Irã, organização não governamental liderada por Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2003.
Mais atualmente, Mohammadi se tornou um dos principais nomes da revolução que começou com a morte de Mahsa Amini.
Amini era uma jovem de 22 anos que em setembro de 2022 viajava de férias com a família pelo Irã quando foi abordada pela chamada polícia da moralidade – que fiscaliza o cumprimento das normas de vestimentas impostas a mulheres iranianas.
Instantaneamente, a morte de Mahsa Amini desencadeou um dos maiores movimentos contra o regime do Irã, comandando pelo líder supremo do país, Ali Khamenei, acusado de oprimir mulheres – o país tem presidente, mas, pelas leis iranianas, é o líder supremo quem dá a palavra final.
Desde então, mais de 500 pessoas morreram em protestos contra a repressão, segundo estimativas de organizações locais.
