Por Felipe Rodrigues
Para muitas mulheres, o cabelo é a parte mais importante no corpo. Seja curto, longo, liso ou encaracolado — cada um representa a personalidade e estilo. Uma triste realidade para elas é quando ele sofre queda, sobretudo por conta de tratamentos como a quimioterapia.
Pensando nisso a cabeleireira e psicanalista Alessandra de Souza Moraes, de Volta Redonda, criou o projeto “Laços de Amor”, em junho de 2015.
A iniciativa partiu do propósito de devolver a autoestima às mulheres em tratamento contra o câncer, com a confecção de perucas de fios naturais.
O projeto já atendeu inúmeras mulheres no Brasil inteiro e, também, fora do país. “Laços de Amor” é uma ação sem custo, todos os pacientes em tratamento recebem gratuitamente as perucas.
No mês da conscientização e luta contra o câncer de mama e de colo de útero, a reportagem especial do TRIBUNA contará a história desse projeto que há quatro anos vem alimentando a autoestima das mulheres em tratamento da doença.
Como tudo começou
Para todo projeto ser iniciado é necessário que algo desperte o interesse daqueles que futuramente se envolverão.
Com o “Laços de Amor” não foi diferente. De acordo com a idealizadora, Alessandra Moraes, a menina de 11 anos, filha de uma amiga, que também é cabeleireira, enfrentava uma luta contra leucemia devido ao tratamento intensivo a pequena havia perdido todos os fios de cabelo.
E isso a sensibilizou.
— Eu ganhei um cabelo para tratá-lo e confeccioná-lo como aplique. Na hora me lembrei da Natane, filha de minha amiga. Pedi para um amigo fabricar uma peruca para doar a pequena. Quando entregamos, percebemos que aquilo representava muito mais que apenas um acessório. Era como se a vontade de viver fosse renovada, lembrou a profissional — relembrou a idealizadora do projeto.
Alessandra contou que aquilo foi algo tão importante para a vida da pequena que a estimulou voltar às atividades
Dessa vez, sem vergonha de não ter mais as mechas. Porém, um pedido especial, foi o motivador para levar adiante o projeto.

— Ela realizava o tratamento no Rio de Janeiro, quando chegou ao local, as outras crianças ficaram loucas. Foi aí que a Natane pediu para que fizéssemos também para os outros amigos. Com isso lançamos o projeto e, em pouco tempo, notamos seu crescimento — disse.
Hoje, com quatro anos de projeto, o Laços de Amor conta com uma média de 400 pessoas cadastradas e, a cada três meses, cerca de 30 perucas são enviadas para a Casa Ronaldo McDonalds, hospital que trata crianças com câncer, na Cidade Maravilhosa.
Processo de confecção
Toda a confecção de uma peruca passa por etapas criteriosas. Ao todo são sete passos que vão da limpeza dos fios até o corte final do cabelo. Esse processo dura em média cinco horas. Atualmente, o projeto conta com 12 voluntários, que tira poucas horas do seu dia para proporcionar a alegria ao próximo.
— Nós não recebemos nenhum valor financeiro, nossa recompensa está ligada a fazer o bem e receber em troca o sorriso através dos olhares. Nós não compramos cabelo e não vendemos as perucas. Hoje o que mais precisamos é de voluntários, principalmente de costureiros — citou Alessandra.
Como doar e receber uma peruca
Para doar, o interessado pode procurar o salão de beleza que fica na escola Bless Centro Técnico de Beleza, no Centro de Volta Redonda. Os doadores não pagam o corte, porém para realizar a doação é necessário alguns critérios, como explica a cabeleireira.
— O tamanho mínimo para doação é de 15 centímetros para conseguirmos aproveitar bem o cabelo. Outro ponto é que ele precisa estar em bom estado. Não tem problema se ele tiver algum tipo de química, esclareceu.
Já o processo para requerer uma peruca depende de apenas um critério: ser careca, estando em tratamento de quimioterapia, ou alopecia, que segundo ela, teve um crescimento significativo, tanto em adultos, quanto crianças.
— Ultrapassamos a barreiras em atendimento nacional, já enviamos nossas perucas para outros países como Estados Unidos e Portugal. Tudo isso sempre sem custo para o remetente — afirmou.
Sentimento em desenvolver o projeto

Desenvolver ou participar de projetos sociais, além de alimentar a esperança de um mundo melhor ao próximo, agrega aos envolvidos um sentimento de satisfação em fazer o bem sem olhar a quem. Assim como qualquer outra iniciativa, o Laços de Amor garante aos voluntários algo que vai além de estimular a autoestima, como por exemplo, ver no rosto de cada pessoa contemplada a esperança de superar a doença.
— Me sinto realizada em fazer parte desse projeto. Fabricar perucas e desenvolver esse trabalho garante levar alegria para a pessoa em um momento de muita dor, poder fazer o possível dentro das nossas possibilidades e também prestar assistência às nossas meninas, como às chamamos, faz toda diferença nesse momento — expressou Alessandra, que continuou:
“Quando vemos elas saindo do salão sorridente porque a peruca ficou certinha, bonita e bem semelhante ao cabelo natural delas.
Nosso sentimento como equipe é de extrema alegria e dever cumprido. Muito maior que a felicidade delas é a nossa sensação de proporcionar esse sentimento”, finalizou.

