“Lucimar era uma mulher batalhadora, que sozinha cuidava de todos os seus filhos. Guerreira, forte, pescadora, nativa de Ponta Negra. Uma mãe que fazia de tudo pelos filhos. Uma típica mulher caiçara”.
É assim que Cauê Villela, presidente da Associação de Moradores da comunidade de Ponta Negra, descreve a amiga Lucimar de Jesus Campos, que morreu neste sábado (2), junto com seis de seus sete filhos, com idades entre 2 e 17 anos, durante um deslizamento de terra que soterrou a casa de pau a pique onde vivia. A reportagem é de Vinicius Lima e Laura Borges, ambos jornalistas do G1
As mortes de Lucimar e dos filhos João, de 2 anos, Estevão, de 5 anos, Yasmin, de 8 anos, Jasmin, de 10 anos, Luciano, de 15 anos e Lucimara, de 17 anos, foram confirmadas pela prefeitura de Paraty.
Um outro filho, que se chama Dorqueu, de 12 anos, foi resgatado com vida e levado para um hospital em Paraty, onde passou por uma cirurgia que durou aproximadamente cinco horas e passa bem, segundo informações da assessoria de comunicação da Cuidava sozinha dos filhos
Cauê conta ainda que Lucimar cuidava sozinha dos filhos. Muitas vezes, saía com as crianças para pescar o alimento que seria o complemento da refeição do dia — o acesso à comunidade é feito apenas de barco ou trilha.
“Pegava seus filhos e, com varinha de bambu e linha, pegava seu camarão ou pitu de água doce. Ia pescar quase todos os dias na beira da praia para fazer um complemento na alimentação dos seus filhos”, lembrou Cauê.
Na última semana, Cauê disse que Lucimar participou ativamente de uma limpeza em um bambuzal que fica ao lado da escola da comunidade.
“Lucimar era pau para toda obra. Não tinha medo de nada. Valente, trabalhadora. Tudo que você precisasse, desse uma oportunidade, ela trabalhava, pegava no pesado, mesmo. Essa semana fizemos a limpeza de um bambuzal que tinha ao lado da escola, e ela foi a primeira a se prontificar. Apareceu de bota e facão na mão. Essa era a Lucimar”, disse Cauê.
