Foi sepultado nesta terça-feira (dia 17), o ator e diretor de teatro Bernardo Mauricio, em Volta Redonda. Ele, que tinha 82 anos, foi enterrado no Cemitério do Retiro às 15 horas. Não teve velório e sepultamento foi restrito aos familiares.
Natural de Alenquer, no Pará, ele estava internado no Hospital Regional Zilda Arns desde o início do mês por ter sofrido um infarto associado a um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Na unidade hospitalar, acabou testando positivo para a Covid-19 e, nesta segunda, não resistiu e faleceu por volta do meio-dia. Bernardo Mauricio deixa dois filhos, Narciso e Eva Musa, e duas netas.
Ao longo de sua trajetória, Bernardo Mauricio participou ativamente do teatro de resistência em Volta Redonda. Chegou a ficar preso por 77 dias, enfrentando cerca de 30 interrogatórios por conta de um espetáculo teatral, no Teatro Santa Cecília, que comemorava os 20 anos da Declaração dos Direitos Humanos da ONU, em 1978 . Morou no Rio de Janeiro, estudou no Tablado e participou da montagem histórica de “Sonhos de Uma Noite de Verão”.
Bernardo dedicou sua vida ao ensino do teatro em Volta Redonda. Em 1981, montou uma peça na Praça Brasil envolvendo 250 atores, o primeiro dos mais de 30 espetáculos que dirigiu na cidade. A partir de 1985, foi diretor do departamento de teatro da Secretaria Municipal de Cultura e criou o Centro Experimental Novos Atores, o CENA, onde formou mais de mil alunos. Tinha como sonho reativar o Teatro Santa Cecília.
“Esse corpo velho, cansado, inútil, não tem mais a vitalidade que um dia floresceu, amou e se deu, mas ainda ama e muito agarrado ao ultimo sopro de vida, nessa lida por amor, então eu vou, vivendo versos, nesse universo que ainda tem lugar pra mim (…) Meu ultimo sopro tem que ser com um de poeta, porque atesta que vivi nesse mundão, andado e sofrido, encharcado de amor”, diz o trecho da última poesia escrita por Bernardo Maurício.
