Volta Redonda

VR: Artista faz releituras de músicas e é sucesso nas redes sociais


Por Felipe Rodrigues 

De anjo ao diabo, de travestir a um machista canalha, e de morador de rua a um empresário bem sucedido. A imaginação e inspiração não faltam. Ainda mais quando o trabalho é desenvolvido em cima de grandes clássicos de músicos brasileiros consagrados como Gil, Caetano, Vinicius de Moraes, Zé Ramalho, Los Hermanos, Raul Seixas, Ivan Lins e outros tantos.

Na vida real, ele é graduado em jornalismo e atua como fotógrafo. Seu nome é André Sodré. Há um ano ele passou a declamar as canções, em forma de poesia, com pouco tempo seus vídeos atingiram uma marca significativa.

Sua coleção de trabalho conta com 46 vídeos. Sair de trás das câmeras e tomar frente ainda é um desafio. Porém, o sucesso e alcance de público tem compensado essa dedicação e empenho. Ele transforma três dias de produção, gravação e edição, em dois minutos e meio.

O artista recebeu a equipe de reportagem do TRIBUNA em seu estúdio fotográfico, na avenida Amaral Peixoto, no centro de Volta Redonda. O local é o mesmo onde geralmente acontecem as filmagens. Nesta semana, ele é o nosso personagem dessa matéria especial.


Velha Infância – Tribalista


Nas redes sociais, o fotógrafo encontrou um meio de expor seus vídeos, mas o talento e o dom de escrever poemas vêm lá de trás, quando ainda era apenas um garoto.    

— Foi na infância que eu comecei a escrever poemas e letras de música. Tenho guardado até hoje os versos que eu escrevi quando tinha apenas 15 anos. Com em torno de 20 anos fiz um livro de poesias intitulado ‘Flagrância’. Naquela época, nos anos 80, esses livros eram em Xerox. Existia uma um movimento muito grande na região de poetas marginas, e eu fazia parte desse grupo, relembrou André.

A fotografia foi o seu segundo amor, o interesse veio em 1984. Faltando apenas um ano para concluir sua graduação como jornalista, ter tido a oportunidade de garantir uma vaga de estágio em um jornal da região, possibilitou a aquisição de sua primeira câmera fotográfica profissional.

Pouco tempo depois ele já possuía um estúdio fotográfico, em Barra Mansa, porém seu amor pela poesia e escrita nunca fora deixada de lado. E ele viu que as duas artes podiam sim se unir.

— A fotografia e a poesia têm o mesmo processo cognitivo e a mesma forma de pensar, você pensa numa imagem da mesma forma que pensa no poema. É dessa forma que atrelamos uma à outra e esse é um casamento perfeito, afirmou.


O Tempo não para – Cazuza


Passada mais de três décadas, em meados de 2013, o jornalista lançou o livro ‘A Hora do Poema’. Foi postando os poemas do no seu perfil do Facebook que ele teve um retorno positivo. Observando essa recepção, ele começou a correr atrás dos patrocinadores.

— Em 60 dias consegui o equivalente para publicá-lo e ainda sobrou uma parte. Porém, antes de lançar o livro, eu gravava pequenos vídeos com os meus poemas. Esses vídeos tinham geralmente 200 visualizações, explicou.

Sempre adepto às novidades e aberto a viver o novo, em julho do ano passado, ele declamou uma canção em forma de poesia, que segundo ele, tinha tudo a ver com o cenário político brasileiro. A música, não podia ser outra a não ser o eterno sucesso de Belchior, ‘Como Nossos Pais’.

— Sentei-me em frente à câmera, sem nenhum recurso visual, e declamei a canção. Meus vídeos tinham em torno de 200 visualizações, esse teve quase 600. Aquilo me empolgou. Gravei um segundo, dessa vez com a música ‘Vai passar’ do Chico Buarque, tiveram 500, isso foi me empolgando ainda mais, lembrou.

A ideia foi se aprimorando junto com os conteúdos. Foi de olho nessa repercussão que seu corpo passou a ser usado como instrumento poético.

— A caracterização me permitiu atuar enquanto declamava, a primeira aconteceu durante a interpretação de uma canção do Alceu Valença, estava caracterizado como nordestino, fora que o cenário e a iluminação também foram adaptados.  Esse vídeo dobrou no número de visualização. Já não eram mais 200 ou 500, dessa vez o público já passava dos mil, revelou.



Dom Quixote – Engenheiros do Havaii


Lidar com o reconhecimento e aprovação do público nas ruas, em relação ao seu trabalho, ainda é algo que o deixa surpreso, mas antes de tudo feliz e satisfeito, pois de acordo com ele, essa é uma forma de contribuir com essa arte que não tem a valorização merecida.

-O poema me permite lutar por causas que não são minhas, mas que eu defendo e me insiro nelas. Se cada pessoa fizer uma parte para ajudar o mundo com aquilo que sabe fazer de melhor o mundo irá agradecer. Eu usei a imagem, o conhecimento cinematográfico e a poesia, para fazer isso. Unir as três coisas que eu amo só tem um objetivo, colaborar positivamente na vida das pessoas, traduziu o poeta.

As produções do artista hoje contabilizam, no total mais de 240 mil visualizações. Esse trabalho pode ser acompanhado em seu Facebook: Eduardo André Sodré. Quinzenalmente, é postado um vídeo novo, geralmente nas quartas-feiras.

“Conheci a poesia com Neruda e Gullar.

A poesia tinha que ser crítica, política, rítmica, especular…

Com o tempo vieram dos anjos e bandeira.

A poesia virou seio, permeio, esteio, verdadeira.

Então, me roubaram a poesia os marginais.

Com seus fruis, truis luz demais.

 Quando a chegada de Quintana e Alvin, a poesia ficou calada, encantada, inacabada em mim.

-André Sodré



 

3 Comentários

    • LUCIENE FACURI 11:57

      QUE PRIVILÉGIO TER UM ARTISTA COMO ESSE NA REGIÃO

      • Eduardo André Sodré 06:51

        Poucas matérias conseguem captar, não só o necessário para informação ao leitor, entretanto esta, deixa ainda uma deliciosa homenagem e um pouco do espírito do entrevistado.
        Muito obrigado ao Tribuna Sul Fluminense pela oportunidade de divulgar meu trabalho.

    • Sergio Garloppa 22:35

      Gosto de Poesia…
      E gosto de Musica…
      Gosto de amigo…
      Ter e ser amigo de um poeta que com maestria declama alem de seus poemas perola da MPB é u privilégio.
      Obrigado amigo pela sua poesia.

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