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Presidente do Barra Mansa FC é afastado pelo conselho do clube


Próximo de completar 110 anos, o Barra Mansa vive aquele que talvez seja seu momento mais complicado na História. Mantido na Série B2 do Carioca depois de uma campanha apenas regular em 2018, o clube passa por severas dificuldades fora de campo neste ano, que começou com os efeitos de uma polêmica eleição e vai terminando com denúncias sobre manipulações de resultados de jogos. Em meio a este turbilhão, o clube está sem presidente.

Anderson Florentino, o Andrinho, que também é assessor do deputado federal Alexandre Serfiotis, foi afastado do cargo pela Justiça por conta de supostas irregularidades no pleito de dezembro do ano passado, no qual foi eleito por aclamação após sua chapa ser impugnada, mas regularizada logo em seguida.

Na noite desta segunda-feira (1), o Conselho Deliberativo se reuniu no Clube Municipal, de forma extraordinária, para discutir a situação de Andrinho, que estava presente. Foi lida pelo presidente do Conselho, Sílvio Antônio Francisco, a determinação do Ministério Público sobre o afastamento de Andrinho. Em seguida, ele se pronunciou sobre as acusações às quais responde, de ter desviado das contas do Barra Mansa para a dele próprio uma quantia de R$ 343 mil, oriundas da parcela paga pela Internazionale (ITA) pela compra do lateral-esquerdo Dalbert, revelado no Leão. Andrinho terá de 15 a 20 dias para apresentar as notas e justificar os gastos.

Com Andrinho agora afastado, o comando do clube fica nas mãos de uma espécie de “junta provisória”, comandada pelos beneméritos Ronaldo Lira e Pinguilim. Eles ficarão no comando até que novas eleições para presidente sejam marcadas. A polêmica, que culminou com a saída de Andrinho do cargo começou nas últimas semanas de 2017. Na altura, Anderson e Thiago Campbell se candidataram à presidência do clube, mas o pleito foi impugnado pelo Conselho Deliberativo, que vetou a inscrição das chapas ao alegar que os dois candidatos não conseguiram comprovar a regularidade dos títulos que os qualificassem como sócios do Barra Mansa.

A poucos dias da eleição, Anderson Florentino (que buscava a reeleição como presidente) entrou com um mandado de segurança, disputou sozinho e foi eleito por aclamação. Thiago Campbell, que fora técnico e dirigente durante o primeiro mandato de Andrinho, entre 2015 e 2016, deixou o clube e juntou-se ao Rio São Paulo, da mesma Série B2 disputada pelo Barra Mansa, onde assumiu como treinador e gerente de futebol. Apesar de ter vencido o Barra no campo durante o campeonato (1 a 0), viu seu time ser rebaixado à Quartona após a perda de pontos pela escalação irregular de um jogador. O caso segue na Justiça e será julgado na sexta-feira pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Manipulações e transação milionária

Além da questão que envolve as eleições do Barra Mansa, Anderson Florentino viu o cerco sobre si se fechar nos últimos dias. Na quinta-feira passada (27/9), ele foi um dos alvos de uma investigação da Polícia Civil relativa a denúncias de manipulações de resultados de jogos e apropriação indébita. Segundo a Delegacia do Consumidor (Decon) e o Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest), Andrinho, o então vice-presidente de finanças Lincoln Aguiar e Ezequias Oliveira (dono da AgeSport, que geria o futebol do clube) negociaram resultados, em 2017, junto a uma máfia internacional de apostas, recebendo valores entre R$ 35 mil e R$ 150 mil por partida.
A denúncia do Gaedest ainda dá conta de uma abordagem dos dirigentes junto aos jogadores do Barra Mansa, prometendo pagamentos de R$ 2 mil a cada jogador para que o time perdesse para o Audax pelo placar de 4 a 0, pela Série B1 do Carioca do ano passado. Os jogadores, no entanto, se recusaram e o jogo terminou empatado em 2 a 2. Uma semana depois, uma nova proposta, de R$ 3 mil para cada jogador, foi feita para que o time perdesse de propósito para o Carapebus. Novamente, os jogadores se negaram, mas a partida não aconteceu: o Barra Mansa perdeu por WO por não oferecer uma ambulância para que a partida fosse realizada.

Outra acusação que paira sobre Andrinho é a retirada do valor de quase R$ 343 mil da conta do clube, relativa à venda do lateral Dalbert, do Nice (FRA), para a Internacionale (ITA), em junho deste ano. Pelo mecanismo de solidariedade da FIFA, o Barra Mansa teria direito a cerca de 1,5% do dinheiro da negociação, que chegou aos R$ 70 milhões. Assim, entrariam nos cofres do Leão algo em torno de R$ 1,1 milhão. A quantia foi paga pela Inter em duas parcelas, com a primeira, pouco superior a R$ 500 mil sendo depositada dias depois da venda.

De acordo com a Polícia Civil, Anderson retirou parte desta quantia da conta do clube e a repassou a uma conta pessoal do dirigente, em transação que teria contado com a anuência da tesoureira do Barra Mansa, Mônica Rodrigues Rosa, namorada de Andrinho. Ao site Globo Esporte, o dirigente reconheceu que se apropriou do dinheiro porque as contas do clube estariam bloqueadas por causa de dívidas. Anderson e Mônica foram denunciados nos Artigos 288 (associação criminosa) e 168 (apropriação indébita) do Código Penal e nos artigos 41-C (solicitar vantagem para alterar resultado) e 41-D (dar vantagem a fim de alterar o resultado) do Estatuto do Torcedor. Eles tiveram seus sigilos bancários quebrados e seus bens foram arrestados até o montante desviado do Barra Mansa.

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