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Os desafios profissionais na era do Compliance
Por Luiz Sérgio Teixeira Loques


Há algum tempo que a sociedade brasileira clama por integridade e transparência, e repudiam com todo o seu vigor práticas ilegais e antiéticas adotadas por pessoas, empresas, órgãos e instituições públicas e privadas.

A adoção de regras e princípios de conformidade e integridade provoca mudanças profundas em nossa cultura, cujos efeitos vão muito além do mundo empresarial e projetam-se no âmago de toda a sociedade, a partir da valorização social da honestidade e da moralização das relações.

Observando o movimento mundial contra a corrupção, lavagem de dinheiro e questões de suborno, acreditamos que há um grande desconhecimento das questões legais compreendidas nesta temática que eventualmente implica na prática de condutas que não só violam os princípios éticos da boa governança, como também comprometem a reputação da Organização e de seus colaboradores, deteriorando seu valor econômico e impactando violentamente sua sustentabilidade e longevidade.

Conceituarmos Ética impõe-nos, antes, diferenciá-la do conceito de moral, pois esta pode ser entendida como o conjunto de regras consideradas válidas, para qualquer tempo ou lugar, grupo ou pessoa determinada, ou, ainda, como a ciência dos costumes, que se difere de um grupo social para outro e que varia de acordo com o estágio de desenvolvimento de cada sociedade.

Por outro lado Ética, uma espécie de teoria sobre a prática moral, representa um conjunto de valores e costumes mais ou menos permanente no tempo e uniforme no espaço, podendo ser entendida também como a ciência da moral ou aquela que estuda o comportamento dos homens na sociedade.

Nas organizações, a tarefa de criar um ambiente favorável à ética é responsabilidade fundamental das lideranças.

À primeira vista, a situação nos convida a pensar uma ética da liderança, apoiada, se possível, em um conjunto robusto de códigos e regras morais que nos guie no dia a dia, apontando para o modo certo e o errado de liderar.

Isso pode ser bom, mas, infelizmente, não é suficiente.

Como a própria ética nos lembra, não existe lei ou regra que dê conta da má-fé quando ela estiver presente. Nesse caso, a liderança ética pode ser a nossa bússola.

A diferença é sutil, mas importante.

Ela diz respeito a renovar a reflexão sobre o certo e o errado, o justo e o digno em cada situação e fazer do exercício da liderança não somente um cumprimento de regras, mas a plena realização de uma responsabilidade.

Significa atualizar, continuamente, a disposição de buscar o caminho correto.

Em muitas situações, correr riscos, “colocar a própria cabeça a prêmio”, investir-se da coragem moral de mudar e saber que, em inúmeros casos, teremos também de sacrificar o ganho imediato, sendo oportunos, mas não oportunistas.

Mais a final o que significa ser um bom profissional na era do compliance?

A maioria das vezes são mencionados aspectos de natureza moral como integridade, respeito às pessoas e instituições, boa reputação, caráter forte e corajoso e, sobretudo um grau apreciável de paixão pelas condutas éticas.

Estas qualidades são muito valorizadas e praticamente obrigatórias para o perfil deste profissional.

Além disso, talentos adicionais como competência técnica e gerencial, associada à autonomia, independência, persistência, espírito investigativo, e conhecimentos de governança, praticamente encerram num parágrafo uma boa lista de qualidades para descrevê-lo.

O repertório de sua ação inclui certificar-se da aderência ao cumprimento leis e normas, implantar planos de contingências, segregar e disciplinar áreas de conflitos de interesse, garantir alinhamento, tempestividade e fidedignidade junto a demandas de órgãos reguladores, criar sinergia entre áreas que compõem o núcleo de resiliência das empresas assim como assegurar a existência e observância de princípios éticos nas decisões de negócio, nos relacionamentos de trabalho, e apoiar a realização de juízos éticos.

Desvios éticos, morais ou normativos são episódios que podem acontecer a qualquer ser humano e decorrem não somente de problemas de caráter, mas na maioria das vezes das respostas insuficientes dadas ao que se quer se pode ou se deve nas situações.

 

 

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